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LER E BRINCAR







Conte a história da tartaruga para seus alunos e depois faça o brinquedinho colando um fundo de garrafa PET no molde de E.V.A. O "corte" serve para colocar guloseimas dentro, caso queira aproveitar a ideia para o Dia das Crianças.

Fonte: Blog da 4 GERED - Chapecó

SOBRE OS LIVROS

SOBRE OS LIVROS
Millôr Fernandes

"Na deixa da virada do milênio, anuncia-se um revolucionário conceito de tecnologia de informação, chamado de Local de Informações Variadas, Reutilizáveis e Ordenadas - L.I.V.R.O. Ele representa um avanço fantástico na tecnologia. Não tem fios, circuitos elétricos, pilhas. Não necessita ser conectado a nada nem ligado.

É tão fácil de usar que até uma criança pode operá-lo. Basta abri-lo!

Cada L.I.V.R.O. é formado por uma seqüência de páginas numeradas, feitas de papel reciclável e são capazes de conter milhares de informações. As páginas são unidas por um sistema chamado lombada, que as mantém automaticamente em sua seqüência correta.

Através do uso intensivo do recurso TPA - Tecnologia do Papel Opaco - permite que os fabricantes usem as duas faces da folha de papel. Isso possibilita duplicar a quantidade de dados inseridos e reduzir os seus custos pela metade! Especialistas se dividem quanto aos projetos de expansão da inserção de dados em cada unidade. É que, para se fazer L.I.V.R.O.s com mais informações, basta se usar mais páginas. Isso, porém, os torna mais grossos e mais difíceis de serem transportados, fato que atrai críticas dos adeptos da portabilidade do sistema.

Cada página do L.I.V.R.O. deve ser escaneada opticamente, e as informações transferidas diretamente para a CPU do usuário, em seu cérebro. Lembramos que quanto maior e mais complexa a informação a ser transmitida, maior deverá ser a capacidade de processamento do usuário.

Outra vantagem do sistema é que, quando em uso, um simples movimento de dedo permite o acesso instantâneo à próxima pagina. O L.I.V.R.O. pode ser rapidamente retomado a qualquer momento, basta abri-lo. Ele nunca apresenta "ERRO GERAL DE PROTEÇÃO", nem precisa ser reiniciado, embora se torne inútil caso caia no mar, por exemplo.

O comando "brouser" permite acessar qualquer página instantaneamente e avançar ou retroceder com muita facilidade. A maioria dos modelos à venda vem com o equipamento "índice" instalado, o qual indica a localização exata de grupos de dados selecionados.

Um acessório opcional, o marca-páginas, permite que você acesse o L.I.V.R.O. exatamente no local em que o deixou na última utilização, mesmo que ele esteja fechado. A compatibilidade dos marcadores de página é total e permite que funcionem em qualquer modelo ou marca de L.I.V.R.O. , sem necessidade de configuração. Além disso, qualquer L.I.V.R.O. suporta o uso simultâneo de vários marcadores de página, caso seu usuário deseje manter selecionados vários trechos ao mesmo tempo. A capacidade máxima para uso de marcadores coincide com o número de páginas.

Pode-se ainda personalizar o conteúdo do L.I.V.R.O., através de anotações em suas margens. Para tanto, deve-se utilizar de um periférico de Linguagem Apagável Portátil de Intercomunicação Simplificada - L.A.P.I.S.

Portátil, durável e barato, o L.I.V.R.O. é apontado como o instrumento de entretenimento e cultura do futuro. Milhares de programadores desse sistema disponibilizaram vários títulos e upgrades para a utilização na plataforma L.I.V.R.O."

A SECA E O INVERNO - CORDEL


Na seca inclemente no nosso Nordeste
O sol é mais quente e o céu, mais azul
E o povo se achando sem chão e sem veste
Viaja à procura das terras do Sul

Porém quando chove tudo é riso e festa
O campo e a floresta prometem fartura
Escutam-se as notas alegres e graves
Dos cantos das aves louvando a natura

Alegre esvoaça e gargalha o jacu
Apita a nambu e geme a juriti
E a brisa farfalha por entre os verdores
Beijando os primores do meu Cariri

De noite notamos as graças eternas
Nas lindas lanternas de mil vaga-lumes
Na copa da mata os ramos embalam
E as flores exalam suaves perfumes

Se o dia desponta vem nova alegria
A gente aprecia o mais lindo compasso
Além do balido das lindas ovelhas
Enxames de abelhas zumbindo no espaço

E o forte caboclo da sua palhoça
No rumo da roça de marcha apressada
Vai cheio de vida sorrindo e contente
Lançar a semente na terra molhada

Das mãos deste bravo caboclo roceiro
Fiel prazenteiro modesto e feliz
É que o ouro branco sai para o processo
Fazer o progresso do nosso país

Cordel de Patativa do Assaré, ilustrado por Joana Lira

O AMIGO SECRETO



A turma reuniu-se na sala enfeitada. Martinha carregava um pacote enorme, cheio de laços. Suzana e Antônio conversavam animados. Mariana pediu para Juju começar a brincadeira. Cada um devia explicar antes por que escolhera o presente para seu amigo secreto.

Quando Juju terminou de falar, um tênis, que mais parecia uma nave espacial, foi parar nas mãos de Felipe. Este contou por que comprou o CD importado para o Luís. Que explicou por que escolheu a bermuda de surfista para o Bruno.

— Bruno! — a turma gritou. — Agora é você!

Bruno pôs-se a falar:

— Bom, pessoal, é o seguinte: na primeira semana de dezembro, já tarde da noite, lá em casa, ouvimos um grito de filme de terror.

Todo mundo saltou da cama: “O que foi? O que foi?”

Minha mãe apontou, soluçando: “A ge-la-de-dei-ra! Ela que-que-brou!”

“O técnico avisou que, se ela enguiçasse de novo, já era”, disse meu pai.

“Não faço questão de geladeira”, minha irmã falou. “O que não dá é ficar sem computador.”

Aí, minha mãe disse: “Se a gente fosse esquimó, jogava a caça sobre a neve, cobria com gravetos pros lobos não roubarem e pronto. Mas, em pleno verão brasileiro, geladeira é prioridade. Precisamos comprar uma nova imediatamente”.

“E daí?”, minha irmã perguntou.

“E daí que o mesmo dinheiro não sai da mesma carteira duas vezes”, disse meu pai.

“Então o computador dançou?!”, eu perguntei.

Meu pai respondeu: “O computador e outras coisinhas. Nossa geladeira é dúplex, custa mais”.

“E o presente do amigo secreto”, minha irmã lembrou mais que depressa.

“Bolem um presente criativo e que não custe nada”, falou meu pai.

— Foi aí que eu tive a idéia — continuou Bruno, abrindo a mochila e tirando de lá um pequeno pacote.

— Espero que meu amigo secreto goste. Ele é o Rafa.

— Aí, Rafa! Vai lá! — gritou a turma.

Rafa começou a abrir o pacote. O silêncio era total.

— Não acredito que você guardou esta foto, cara! Que idade a gente tinha?

— Mostra! Mostra!

E a foto emoldurada de Bruno e de Rafa, quando tinham 6 anos de idade, foi passando de mão em mão. O maior sucesso.

— Puxa, Bruno. Só faltou uma coisa — disse Rafa.

— O quê?

— Um abraço, cara. Gosto de você! Bom fim de ano!

Conto de Regina Chamlian, ilustrado por Alexandre Dubiela

É SEMPRE ERA UMA VEZ


Era uma vez uma cachorrinha muito alegre e assanhadinha.

Era uma vez um tal Marcelo que se achava muito belo.

Era uma vez um tal João que comia sorvete com feijão.

Era uma vez um cachorrão, enjoado, latidor e folgadão.

Era uma vez um palhaço, que só levava tombaço.

Era uma vez um sacristão, que tocava sino com o dedão.

Era uma vez uma professora, que teimava em ser cantora.

Era uma vez um safado prefeito, que dizia: Não tenho defeito!

Era uma vez um meu colega, que levou uma boa esfrega.

Era uma vez um músico italiano, que, com pé, tocava o seu piano.

Era uma vez um aloprado cientista, que passava xixi na vista.

Era uma vez um feioso estudante, que se dizia muito belo e elegante.

Era uma vez uma desajeitada menina, que misturava perfume com gasolina.

Era uma vez o famoso Chico Peão, que contou vantagem e foi pro chão.

Era uma vez uma tal dona Inês, que tinha cão listrado e gato xadrez.

E eu quero saber agora o resto destas histórias.

Conte de uma só vez, quando chegar a sua vez.

Poema de Elias José, ilustrado por Marcello Araújo

CONTOS




Pais e professores encontram nas narrativas conteúdos para dialogar com crianças e jovens de modo agradável e instigante.

Família em Contos é um site de apoio às escolas públicas e particulares, dos ensinos fundamental e médio, APMs, ONGs e demais entidades que se dedicam à formação humana e cultural de jovens e adolescentes.

Os contos atendem o cumprimento das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Ensinos Fundamental e Médio, pois facilitam aos alunos o aprendizado de conteúdos de difícil compreensão sem o auxílio de histórias que materializem conceitos como “bem comum”, “cultura”, “vida social”, “cidadania”, entre outros.

DEZ SACIZINHOS



Uma vez vi uma contadora de história contando, ou melhor, cantando os 'Dez Sacizinhos'. Achei o máximo, ficou lindo! Fica aqui a sugestão para vocês. Beijos!

DEZ SACIZINHOS (TATIANA BELINKY)

Eram dez os sacizinhos; um ficou imóvel e nunca mais se moveu, e sobraram nove.
Eram nove os sacizinhos; um comeu biscoito, o biscoito estava velho e sobraram oito.
Eram oito os sacizinhos; um foi de charrete, a charrete emborcou e sobraram sete.
Eram sete os sacizinhos; um foi contra as leis então teve de fugir, e sobraram seis.
Eram seis os sacizinhos; um colocou um brinco, era um brinco enferrujado, e sobraram cinco.
Eram cinco os sacizinhos; um foi ao teatro. O teatro pegou fogo. E sobraram quatro.
Eram quatro os sacizinhos; um foi pro xadrez e não conseguiu safar-se, e sobraram três.
Eram três os sacizinhos; um comeu arroz. O arroz era mofado e sobraram dois.
Eram dois os sacizinhos; um ficou em jejum, o jejum foi demasiado, e sobrou só um.
Sobrou um só sacizinho; comeu urucum, urucum não é comida, e não sobrou nenhum.
Mas de volta os trouxe a Cuca, todos de uma vez, e agora os sacizinhos, outra vez são dez!
Eram dez os sacizinhos...

HORA DO CONTO... SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA!

ADIVINHA QUANTO EU TE AMO
De Sam Mc Bratney com ilustrações de Anita Jeram

Era hora de ir para a cama, e o coelhinho se agarrou firme nas longas orelhas do coelho pai.

Depois de ter certeza de que o papai coelho estava ouvindo, o coelhinho disse: “adivinha o quanto eu te amo!”.

“Ah, acho que isso eu não consigo adivinhar” – respondeu o coelho pai.

“Tudo isto” – disse o coelhinho, esticando os braços o mais que podia.

Só que o coelho pai tinha os braços mais compridos, e disse: “e eu te amo tudo isto!”

“Hum, isso é um bocado” pensou o coelhinho.

“Eu te amo toda a minha a altura” – disse o coelhinho.

“E eu te amo toda a minha altura” – disse o coelho pai.

“Puxa, isso é bem alto, pensou o coelhinho. Eu queria ter braços compridos assim”.

Então o coelhinho teve uma boa idéia. Ele se virou de ponta-cabeça apoiando as patinhas na árvore, e gritou: “eu te amo até as pontas dos dedos dos meus pés, papai!”

“E eu te amo até as pontas dos dedos dos teus pés” – disse o coelho pai balançando o filho no ar.

“Eu te amo toda a altura do meu pulo!”, riu o coelhinho saltando de um lado para outro.

“E eu te amo toda a altura do meu pulo” – riu também o coelho pai, e saltou tão alto que suas orelhas tocaram os galhos da árvore.

“Isso é que é saltar; pensou o coelhinho. Bem que eu gostaria de pular assim.”

“Eu te amo toda a estradinha daqui até o rio” – gritou o coelhinho.

“Eu te amo até depois do rio, até as colinas.” – disse o coelho pai.

“É uma bela distância pensou o coelhinho.” Mas, àquela altura já estava sonolento demais para continuar pensando.

Então, ele olhou para além das copas das árvores, para a imensa escuridão da noite e concluiu: nada podia ser maior que o céu.

“Eu te amo até a Lua!” – disse ele, e fechou os olhos.

“Puxa, isso é longe” – falou o papai coelho – “longe mesmo!”

O coelho pai deitou o coelhinho na sua caminha de folhas, inclinou-se e lhe deu um beijo de boa noite.

Depois, deitou-se ao lado do filho e sussurrou sorrindo: “eu te amo até a Lua... ida e volta!”